A nova declaração de bens do senador Jaques Wagner (PT) mostra que seu patrimônio declarado passou de aproximadamente R$ 3,3 milhões para R$ 24,5 milhões, um crescimento superior a sete vezes em relação à última eleição para o Senado. O principal item é um crédito de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de um terreno.
A declaração é pública, legal e faz parte das exigências da Justiça Eleitoral. O que provoca debate político é o contraste entre esse crescimento patrimonial e a realidade enfrentada por boa parte dos baianos.
Quem percorre a BR-101 encontra desvios precários. Quem depende da saúde pública reclama da demora nos atendimentos. Produtores rurais enfrentam dificuldades para escoar a produção. Comerciantes convivem com fretes mais caros. Enquanto isso, o patrimônio dos principais líderes do PT na Bahia continua crescendo.
Fica a pergunta que certamente muitos eleitores fazem: a prosperidade chegou para quem?
É difícil não perceber a ironia da situação. A Bahia segue figurando entre os estados com maiores desafios em segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento social, enquanto declarações de bens de importantes lideranças políticas registram evolução significativa.
Os defensores de Jaques Wagner afirmam que a evolução patrimonial decorre de negócios privados e da valorização de ativos declarados, sem que isso represente qualquer irregularidade. Já os críticos sustentam que o crescimento patrimonial das lideranças petistas contrasta com a falta de resultados percebidos pela população em áreas consideradas prioritárias.
No fim das contas, a comparação é inevitável: o patrimônio declarado cresceu; a sensação de muitos baianos é que a infraestrutura do estado não acompanhou o mesmo ritmo. E essa diferença certamente continuará sendo explorada no debate eleitoral.