Por Redação – GNBahia
Anunciada mais uma vez com pompa, drones e CGI caprichado, a famigerada ponte Salvador-Itaparica voltou ao noticiário como se fosse o novo milagre do desenvolvimento baiano. Mas, convenhamos: já passou da hora de tratar esse projeto com a sobriedade que ele merece, como uma verdadeira engenharia da ilusão. Enquanto a propaganda pinta um futuro digno de ficção científica, a realidade aponta para mais uma promessa de palanque com objetivos bem distantes do interesse público.
Desde o início, a proposta da ponte de mais de 12 km ligando Salvador à Ilha de Itaparica serviu mais como ferramenta política do que como obra de infraestrutura viável. E agora, às vésperas de um novo ciclo eleitoral, ela ressurge estrategicamente, como uma bela cortina de fumaça, dessas que tentam encobrir os reais problemas que afetam os baianos todos os dias: rodovias esburacadas, portos sucateados, mobilidade urbana precária e hospitais superlotados.
Não se engane, leitor. A “ponte” que se discute hoje está muito mais associada a interesses trilionários e acordos de bastidores do que a qualquer plano técnico consistente. Fontes dentro e fora do governo apontam que o projeto, mesmo sem sair do papel, movimenta cifras astronômicas, de contratos preliminares, consultorias, pareceres e licitações com cheiro de favorecimento. É o tipo de estrutura que, de tão grandiosa, serve mais para justificar negócios escusos do que para ligar pontos no mapa.
Enquanto isso, a pequena ponte de Itapebi, essa sim, de concreto, enfrenta atrasos, embargos e polêmicas desde a sua concepção. Se uma obra de poucos metros já provoca desgastes e entraves judiciais, imagine a epopeia de construir uma ponte do tamanho de um bairro inteiro em meio a licenças ambientais, desapropriações e uma crise fiscal permanente?
A verdade é que a Ponte Salvador-Itaparica nunca será erguida. Não com este modelo de governança. Não com essa mistura tóxica de populismo, marketing e falta de responsabilidade com o dinheiro público. Tratar esse delírio de engenharia como prioridade é zombar da inteligência do cidadão baiano que todo dia pega ônibus lotado, paga pedágio caro e perde horas em engarrafamentos causados por ausência de infraestrutura básica.
É papel da imprensa e dos analistas expor a verdade: essa ponte não passa de um espetáculo pirotécnico, desses que brilham bonito no céu da propaganda, mas que, como todo bom truque de ilusionismo, somem no ar quando se busca alguma solidez.
Enquanto isso, a Bahia segue esperando obras que realmente saiam do papel, e políticos que pisem no chão.