A relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional sofreu um novo abalo após o governo federal recuar de um aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e ter, mesmo assim, sua proposta completamente derrubada pela Câmara dos Deputados. A crise expõe o desgaste na articulação política do Executivo e abre caminho para um cenário de tensão entre os Poderes nas próximas votações.
No fim de maio, o governo anunciou o reajuste do IOF como medida para aumentar a arrecadação em quase R$ 20 bilhões e viabilizar o cumprimento da meta fiscal de 2025. A decisão foi mal recebida pelo Congresso. Após pressão dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, David Alcolumbre (União Brasil), o Executivo recuou parcialmente do reajuste, propondo compensar a perda de arrecadação com o envio de uma Medida Provisória (MP).
O clima, no entanto, rapidamente azedou. Em 16 de junho, Hugo Motta colocou em votação um requerimento de urgência para derrubar o aumento do IOF, aprovado com amplo apoio. O governo acreditava ter até 15 dias para buscar uma saída negociada. Contudo, em um movimento que surpreendeu até aliados, o presidente da Câmara pautou e aprovou, no dia 25 de junho, a revogação total do reajuste, esvaziando de vez a estratégia do Planalto.
Sem o reforço de caixa previsto com o aumento do imposto e com a MP ainda em tramitação, o governo agora ameaça cortar programas sociais e bloquear emendas parlamentares, medidas que devem tensionar ainda mais o ambiente político.
Na tentativa de salvar parte da arrecadação, o Executivo trabalha para aprovar os dispositivos da MP e estuda incorporá-los ao projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O desafio será conciliar responsabilidade fiscal com interesses parlamentares em um cenário cada vez mais marcado por embates e desconfianças.