Um grupo de cerca de 30 indígenas interditou totalmente a BR-101, no trecho do km 793, próximo ao trevo de Itamaraju, no extremo sul da Bahia, desde a manhã da segunda-feira (7). O bloqueio ocorre nas imediações da entrada do Parque Nacional do Monte Pascoal e seguia ativo até esta terça-feira (8), com acompanhamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Com faixas e palavras de ordem, os manifestantes denunciam suposta perseguição a lideranças indígenas locais e cobram providências das autoridades. A manifestação começou de forma pacífica, mas ultrapassou os limites do direito à livre expressão após um grave incidente ocorrido por volta das 11h30 de segunda.
Segundo relatos, uma condutora de caminhão tentou atravessar o bloqueio aproveitando a liberação pontual de outro veículo. A atitude gerou revolta entre os manifestantes, que perseguiram o caminhão pela BR-498, interceptaram o veículo, retiraram a motorista à força, danificaram o caminhão e, segundo testemunhas, atearam fogo no veículo.
A condutora foi entregue à PRF visivelmente abalada, relatando agressões leves e ameaças, embora tenha optado por não receber atendimento médico. Ela foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil de Itamaraju para registro da ocorrência.
A PRF continua no local tentando manter o diálogo com os líderes indígenas, com o objetivo de garantir a segurança de todos e restabelecer a normalidade do tráfego na região.
É importante frisar que, embora o direito à manifestação seja legítimo, os atos de violência, coação e destruição de patrimônio não podem ser tolerados. Indígenas são cidadãos brasileiros como qualquer outro e devem agir dentro da legalidade, respeitando os direitos dos demais. O protesto legítimo perde sua razão quando ultrapassa os limites da civilidade e da lei.