5 de março de 2026 19:54

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Primeira cirurgia contra depressão resistente marca avanço na medicina: “É como renascer”, diz paciente

A colombiana Lorena Rodríguez, de 34 anos, entrou para a história da medicina ao se tornar a primeira pessoa a ser submetida, na América Latina, a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) com o objetivo de tratar a depressão resistente, condição que afeta pacientes que não respondem a medicamentos, psicoterapia e outros métodos tradicionais. O procedimento foi realizado no Hospital Internacional da Colômbia, em Bucaramanga, e durou aproximadamente seis horas.

É como renascer”, afirmou Lorena após a cirurgia, que representa uma nova esperança para pessoas que vivem com formas graves e persistentes da doença. Antes da operação, a jovem havia passado por uma extensa jornada terapêutica, incluindo uso contínuo de antidepressivos, sessões de psicoterapia, estimulação magnética transcraniana e até eletroconvulsoterapia, todos sem resultados eficazes e duradouros.

Durante a cirurgia, eletrodos foram implantados em áreas específicas do cérebro ligadas à regulação das emoções, como tristeza, medo e ansiedade. Esses eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, instalado no peito da paciente, que emite impulsos elétricos capazes de modular a atividade cerebral disfuncional associada à depressão.

A técnica, já aprovada e utilizada em países como o Canadá e os Estados Unidos, é conhecida pela sigla DBS (Deep Brain Stimulation) e até então vinha sendo empregada principalmente no tratamento de distúrbios neurológicos como Parkinson, distonia e tremores essenciais. Seu uso na psiquiatria, embora promissor, ainda está em fase experimental e controlada em muitos países.

Segundo especialistas, cerca de 30% dos pacientes com depressão não apresentam resposta satisfatória aos tratamentos convencionais, o que configura um grave desafio de saúde pública global. A estimulação cerebral profunda surge como alternativa viável para esses casos mais severos, embora exija protocolos clínicos rigorosos e acompanhamento multidisciplinar.

A equipe médica envolvida no procedimento destacou que o objetivo não é apenas aliviar sintomas, mas restaurar a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes, que muitas vezes sofrem por anos com sentimentos incapacitantes, pensamentos suicidas e isolamento social.

O caso de Lorena Rodríguez poderá contribuir significativamente para o avanço de pesquisas e políticas públicas voltadas à saúde mental, especialmente num cenário pós-pandemia em que os índices de depressão aumentaram em todo o mundo. Ainda não há previsão para que o procedimento seja amplamente disponibilizado, mas sua eficácia e segurança continuarão sendo avaliadas em estudos clínicos mais abrangentes.

Para Lorena, no entanto, o resultado já é transformador. “Agora consigo sentir alegria outra vez. Coisas pequenas, como sair para caminhar ou ouvir música, voltaram a ter sentido para mim.”

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