5 de março de 2026 19:56

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Donald Trump não quer diálogo com Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista publicada nesta quarta-feira (30) pelo jornal norte-americano The New York Times, que tem buscado diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o recente aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, mas que as tentativas têm sido ignoradas. “Ninguém quer conversar”, declarou.

Segundo Lula, ao menos dez reuniões já foram realizadas entre representantes brasileiros e autoridades americanas, mas sem avanço. “Eu pedi para fazer contato. Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura e meu ministro da Economia para conversar com seus equivalentes nos EUA. Até agora, não foi possível”, explicou o presidente.

A entrevista marca o primeiro diálogo direto de Lula com o New York Times em 13 anos. O conteúdo, traduzido para o inglês, foi divulgado também pela Presidência da República.

Tarifaço e clima de tensão

A fala de Lula ocorre às vésperas da entrada em vigor de um tarifaço anunciado por Trump, que impõe uma sobretaxa de 50% sobre as importações brasileiras a partir desta sexta-feira (1º), caso não haja acordo. A medida impacta principalmente o setor agroexportador, tradicionalmente sensível a mudanças nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Lula declarou que o Brasil está preocupado com a medida, mas que não irá se submeter passivamente. “Nós sabemos o poder econômico, militar e tecnológico dos EUA, mas isso não nos deixa com medo. A negociação entre dois países deve sempre buscar um meio termo”, afirmou.

Críticas a Trump e recado direto

Questionado sobre suas declarações públicas contra Trump, Lula reafirmou o tom crítico. Em ocasiões anteriores, ele já havia chamado o presidente norte-americano de “imperador” e criticado o comportamento beligerante nas redes sociais. Ainda assim, deixou claro que prefere a via diplomática.

“Se ele quer uma briga política, vamos ter. Se quiser falar de comércio, sentamos para conversar. Mas não se pode misturar as duas coisas”, disparou Lula.

O presidente também comentou o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mencionado por Trump. Segundo Lula, o Judiciário brasileiro será independente e atuará sem interferências.

Apelo à civilidade

Lula encerrou a entrevista com um apelo à retomada da civilidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, o tom adotado por Trump nas comunicações recentes demonstra má vontade com o diálogo. “Espero que a civilidade retorne à relação. O tom da carta dele foi claramente de quem não quer conversar”, concluiu.

A entrevista reforça o clima de tensão diplomática entre os dois países e acende o alerta para os impactos econômicos do novo pacote tarifário. Enquanto isso, o Planalto tenta manter abertas as portas para uma negociação que ainda não encontrou eco em Washington.

PUBLICIDADE