Sim, você não leu errado. O mesmo Geddel Vieira Lima, aquele que ficou famoso por armazenar R$ 51 milhões em dinheiro vivo num apartamento, agora reaparece no cenário político baiano em um papel… inusitado: defensor da segurança pública.
Escalado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-ministro do MDB protagonizou um vídeo divulgado nas redes sociais em que critica duramente o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), por suas declarações sobre o caos na segurança da Bahia. Geddel, com tom inflamado, relembrou casos de fugas de presídio e superlotação ocorridos durante a gestão do ex-governador ACM, tentando emplacar a narrativa de que o problema é antigo, como se isso isentasse a atual gestão de responsabilidade.
Segurança pública por quem entende de cela
O que Geddel convenientemente esqueceu de mencionar são os escândalos atuais do sistema penitenciário baiano, hoje sob forte influência do seu próprio partido, o MDB. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) acumula episódios dignos de roteiro de série policial:
– 23 fugitivos em apenas sete meses,
– Um triângulo amoroso envolvendo ex-diretora de presídio, detento e ex-deputado do MDB,
– E, mais recentemente, uma cela VIP da facção BDM, com móveis planejados e bebidas importadas, dentro da Penitenciária Lemos Brito, em Salvador.
Um currículo de peso (literalmente)
Para quem esqueceu, Geddel foi preso em 2017 após a Polícia Federal encontrar malas e caixas com R$ 51 milhões em um apartamento ligado a ele, um recorde histórico em apreensão de dinheiro vivo no país. A grana era fruto de corrupção na Caixa Econômica Federal, durante sua passagem pelo governo. Em 2019, o STF o condenou por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Inelegível e fora da política formal, Geddel cumpre liberdade condicional desde 2022, por decisão do ministro Edson Fachin.
Agora, repaginado, reaparece como crítico e conselheiro informal do governo baiano. Talvez, por ter conhecido de perto os dois lados da cela, Geddel se considere um especialista em segurança pública. Ironias da política baiana.
Enquanto isso, os baianos seguem convivendo com facções organizadas, fugas em série e prisões “decoradas”, enquanto o debate sobre segurança vira palco para velhos conhecidos da Justiça.