A cena política e social da Bahia atravessa um momento de turbulência, em que crises de gestão se misturam a disputas eleitorais e à indignação popular diante da violência. A figura do senador Angelo Coronel, cada vez mais central nesse tabuleiro, simboliza o dilema do “monstro” político criado pelo próprio grupo que agora tenta contê-lo.
Violência contra mulheres: uma ferida aberta
Três mulheres brutalmente assassinadas em Ilhéus e um caso de espancamento em que uma jovem recebeu 60 socos no rosto do namorado expõem a face mais cruel da sociedade brasileira: a normalização da violência de gênero. Apesar dos discursos, a punição exemplar segue distante, enquanto o país assiste ao avanço de uma cultura que trata mulheres como descartáveis. Para movimentos feministas, há cobrança direta ao presidente Lula, visto por muitos como omisso diante da escalada da barbárie.
Planserv: investimento alto, atendimento no chão
Enquanto isso, servidores estaduais seguem enfrentando o caos no Planserv. Apesar do governo alardear investimentos recordes, o cotidiano é marcado por demora no agendamento de consultas e exames, cancelamentos sem aviso e frustração generalizada. A promessa de eficiência não saiu do discurso, e o contraste entre propaganda e realidade torna-se cada vez mais evidente.
Educação: aprovação em massa, aprendizado em queda
A secretária de Educação, Rowenna Brito, surge como possível candidata à Assembleia Legislativa, mas carrega o peso de um sistema que privilegia aprovação em massa em detrimento da qualidade. O Regime de Progressão Parcial (RPP) mantém alunos avançando sem o devido aprendizado, segundo críticas de professores e especialistas. O resultado, apontam opositores, é a formação de gerações que chegam às universidades sem domínio do básico.
Coronel em ascensão e a rachadura na base
Nos bastidores da política, Angelo Coronel amplia sua influência. Com apoio financeiro a parlamentares — inclusive da oposição — e com aproximação de ACM Neto, ele envia sinais claros de independência em relação ao governador Jerônimo Rodrigues. Seu recado é direto: não pretende abrir mão do Senado em 2026.
Rui Costa e o preço da escolha
O “karma político” recai sobre Rui Costa. Em 2018, ao optar por retirar Lídice da Mata da disputa para abrir espaço a Coronel, o então governador deu protagonismo a um aliado que hoje se volta contra o grupo petista. O movimento, que parecia estratégico, agora se mostra um erro de cálculo que fortaleceu um adversário interno.
Política como balcão de negócios
As recentes declarações de Coronel, como o provocativo “O PSD não é o PP”, revelam a lógica da política como um jogo de poder e barganhas. A base governista sofre rachaduras, enquanto adversários aproveitam as brechas. O resultado é uma guerra fria entre Coronel e Jerônimo, em que a fatura, inevitavelmente, recai sobre a população.
Gestão em crise também em São Gonçalo
A instabilidade não se limita ao cenário estadual. Em São Gonçalo, o prefeito Tarcísio Pedreira protagonizou polêmica ao usar as redes sociais para atacar o Governo da Bahia em vez de buscar soluções para a regulação de uma paciente. O episódio reforça a percepção de que, muitas vezes, a política se reduz a disputas pessoais em detrimento da gestão eficiente.
No fim, a Bahia se vê diante de um paradoxo: enquanto monstros sociais seguem matando mulheres impunemente, monstros políticos se fortalecem nas rachaduras do poder. A pergunta que fica é a mesma do início: até quando a sociedade vai tolerar esses monstros?
POR NOTÍCIAS DA BAHIA