5 de março de 2026 20:04

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Correios acumulam prejuízo de R$ 2,64 bilhões no 2º trimestre e somam rombo de R$ 4,37 bilhões no semestre

Desempenho financeiro – números alarmantes

  • Prejuízo no 2º trimestre de 2025: R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes superior aos R$ 553,2 milhões registrados no mesmo período de 2024  .
  • Acumulado no 1º semestre de 2025: déficit chega a R$ 4,37 bilhões, mais que o triplo dos R$ 1,35 bilhão do ano anterior.

Causas da crise financeira

1. Receita em queda

  • A receita bruta no semestre atingiu R$ 8,52 bilhões, com redução nominal de aproximadamente 11,3% em relação a 2024  .
  • O segmento de postagem internacional, duramente afetado pelo programa Remessa Conforme e pela chamada “taxa das blusinhas”, gerou apenas R$ 815,2 milhões no semestre — uma queda de 61,3%  .

2. Aumento expressivo de despesas

  • O pagamento de precatórios atingiu R$ 1,2 bilhão no 2º trimestre (aumento de 800% em relação ao mesmo período de 2024). No total do semestre, chegou a R$ 1,59 bilhão (alta de quase 500%)  .
  • Despesas com pessoal cresceram 9,5%, totalizando R$ 2,8 bilhões entre abril e junho — em grande parte motivadas por reajuste salarial de 4,11% e gratificação de férias de 70%  .

Respostas da empresa e possíveis impactos

  • Para ajustar as contas, os Correios iniciaram venda de imóveis, lançaram PDV (Plano de Demissão Voluntária) com adesão de cerca de 3.500 empregados — economias previstas na casa de R$ 1 bilhão em 2026  .
  • Também recorrem a empréstimos (R$ 1,8 bilhão contratados com Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil), que já aliviaram o caixa, mas com vencimento programado em seis parcelas a partir de julho de 2026  .
  • Estima-se passivo de R$ 600 milhões em faturas atrasadas e R$ 2 bilhões em obrigações com fornecedores ao final de junho, o dobro de um ano antes  .

Alerta ao governo e instabilidade política

  • Em junho, a direção dos Correios alertou o governo federal sobre a necessidade de aporte emergencial para evitar o colapso financeiro, em reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad  .
  • A equipe econômica, entretanto, declarou que não há margem fiscal para repasses adicionais, embora reconheça a gravidade da situação  .
  • Em meio à crise, o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, entregou sua carta de demissão em 4 de julho. Sua saída, porém, ainda não foi formalizada, devido à falta de um sucessor e à disputa política pela vaga.

Panorama geral e perspectiva

A combinação de quebra de receita, aumento de despesas judiciais e trabalhistas, e falta de recursos para investimento criam um cenário de insolvência crescente para a estatal. Embora medidas emergenciais (PDV, venda de ativos, empréstimos) estejam em curso, persistem fortes riscos à continuidade operacional sem uma solução fiscal ou de reestruturação mais abrangente.

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