5 de março de 2026 20:31

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Fingindo normalidade: governador faz ato político no Subúrbio após triplo homicídio

Menos de 72 horas após o assassinato de três trabalhadores no bairro do Alto do Cabrito, no Subúrbio de Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) esteve na região. A visita, no entanto, não teve como foco o enfrentamento ao crime organizado, o anúncio de medidas de segurança ou o diálogo com as famílias das vítimas. O compromisso foi um ato político para anunciar a viagem-teste do VLT, prevista para operar apenas em julho do próximo ano.

O gesto causou forte repercussão por ocorrer no mesmo Subúrbio que está sem trens há quase cinco anos e que convive diariamente com abandono, transporte precário e insegurança. Para moradores e trabalhadores da região, a presença do governador soou como tentativa de normalizar um cenário de violência extrema, poucos dias após um crime que chocou a Bahia.

A ausência de uma resposta imediata do governo estadual à execução dos operadores de internet reforçou críticas sobre falta de sensibilidade e desconexão com a realidade das periferias. O episódio levanta um questionamento direto: como o governo pretende pedir votos em 2026 ignorando temas centrais como segurança pública, proteção à vida e políticas sociais efetivas?

Durante protesto realizado no Centro Administrativo da Bahia (CAB), na quinta-feira (18), amigos e colegas das vítimas cobraram providências diretamente do governo. Nenhum representante desceu para dialogar. O silêncio oficial ampliou o sentimento de revolta. Um dos manifestantes resumiu a insatisfação ao afirmar que, sem respostas, a categoria passará a atuar politicamente contra o governador.

As críticas também se estendem à condução administrativa do Estado. Em menos de três anos, o governo acumula cerca de R$ 26 bilhões em empréstimos, sem que a população perceba avanços proporcionais em áreas essenciais como segurança, saúde e dignidade social. Enquanto isso, facções criminosas ampliam sua presença em comunidades onde o Estado não chega.

A percepção entre moradores e trabalhadores do Subúrbio é de que o poder público perdeu o controle de territórios e falhou na proteção da população mais vulnerável. Sem diálogo, sem políticas públicas estruturantes e sem segurança, anúncios e promessas passam a soar vazios.

A conclusão, para muitos, é dura, mas recorrente: sem garantir o básico — o direito de ir e vir com segurança — qualquer discurso político tende a ser visto como oportunismo. O povo pode até esquecer promessas, mas dificilmente esquece o abandono.

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