Numa quase superprodução digna de Oscar, só que com mais glitter e menos lógica, o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou virando um blockbuster jurídico-político. Depois que o enredo exaltou a trajetória do petista e trouxe referências que pareceram mesmo propaganda antecipada, o Partido Novo anunciou que vai à Justiça Eleitoral pedir a inelegibilidade de Lula por suposto “abuso de poder político e econômico”, acusando o desfile de ser nada mais que um comício travestido de samba-enredo.
E como não podia faltar no roteiro dessa comédia dramática, o pré-candidato Flávio Bolsonaro surfou na onda carnavalesca e anunciou ações no TSE, inclusive com um vídeo gerado por inteligência artificial que ironiza o desfile, apelidando virtualmente o bloco de “Lulaladrão” e colocando o homenageado em fantasias dignas de meme político.
Enquanto isso, juízes do TRF-2 negaram pedidos para proibir o desfile, afinal, liberdade artística em pleno Carnaval é um clássico, e o TSE deixou claro que só depois, com batimentos firmes e olhos no relógio jurídico, poderá avaliar se houve propaganda antecipada.
No fim das contas, o que era para ser samba e saudade virou samba e processo. Carnaval virou campanha, enredo virou embargo, e os papéis se inverteram: ali, a passarela da Sapucaí foi palco de uma disputa que nenhum ala de baianas estava esperando, mas todo mundo agora comenta como se fosse parte do espetáculo.