O avanço da doença renal crônica no Brasil tem evidenciado dificuldades no acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento por diálise. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) apontam que o número de brasileiros em diálise aumentou 9,2% em um ano.
Segundo o levantamento, cerca de 170.868 pessoas estavam em tratamento em dezembro de 2025, contra 156.473 no ano anterior. No entanto, a estimativa é que aproximadamente 230 mil brasileiros precisem da terapia, o que indica que mais de 60 mil pacientes ainda não têm acesso ao tratamento adequado.
Entre as principais causas da doença renal crônica estão a diabetes, responsável por cerca de 33,8% dos casos, e a hipertensão arterial, com 26,5%. Doenças renais primárias e complicações secundárias também aparecem entre os fatores que levam à perda progressiva da função dos rins.
Especialistas apontam que um dos maiores problemas é o diagnóstico tardio. A doença costuma evoluir de forma silenciosa, e muitos pacientes descobrem o problema apenas quando já necessitam iniciar a diálise.
Para médicos e entidades de saúde, a ampliação do rastreamento em grupos de risco — como pessoas com diabetes, hipertensão e idosos — é fundamental para reduzir o avanço da doença. Com exames simples e acompanhamento adequado, é possível retardar a progressão da insuficiência renal e adiar a necessidade de tratamentos mais complexos.
Especialistas também destacam que dificuldades de acesso à atenção primária, falta de capacitação de profissionais e baixa conscientização da população sobre doenças crônicas contribuem para o agravamento do cenário no país.
A doença renal crônica é considerada um problema crescente de saúde pública, já que pode evoluir silenciosamente e, em estágios avançados, exigir tratamento contínuo por hemodiálise ou transplante renal.