5 de março de 2026 19:55

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ACM Neto com a faca e o queijo na mão: Jerônimo encurralado pelo desgaste, violência e crise na Bahia

ACM Neto nunca esteve tão politicamente confortável diante do cenário baiano. Com o agravamento das crises enfrentadas pelo governo Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-prefeito de Salvador e liderança do União Brasil caminha em terreno fértil rumo a 2026. O desgaste do atual governador é evidente, e se aprofunda com o tempo. A promessa de continuidade de um modelo petista já envelhecido começa a cobrar seu preço, e o custo político pode ser alto demais.

A publicação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reacendeu o principal calo da gestão petista na Bahia: a violência. O estado, mais uma vez, lidera o ranking de mortes violentas intencionais, mortes por ações policiais e até mesmo de policiais assassinados. Esse tripé macabro não só corrói a imagem do governo, como ainda reforça o sentimento de falência do sistema de segurança pública.

Com a proximidade de 2026, é quase certo que a segurança pública se tornará o principal campo de batalha eleitoral. E não será difícil para a oposição construir a narrativa de que, após quase 20 anos de hegemonia petista, a Bahia naturalizou um cotidiano de violência, morte e impunidade, especialmente nas periferias urbanas e regiões interioranas, onde a presença do Estado é frágil e irregular.

Violência em números: o símbolo do fracasso

A força dos números do Anuário serve como combustível para o discurso oposicionista. Ao longo de anos, o PT prometeu enfrentar a criminalidade com políticas sociais e inclusão, mas o que se vê hoje é um estado em que a sensação de insegurança domina tanto a capital quanto o interior. A falência das UPPs baianas, a escalada de facções criminosas e a precarização das polícias apenas acentuam o descontrole.

O mais alarmante é que os principais alvos da violência seguem sendo jovens negros e pobres, o que gera um paradoxo incômodo para um governo que se apresenta como progressista e comprometido com os direitos humanos. A crítica que ganha força é a de que o PT baiano teria perdido o controle do problema e, pior, se acomodado a ele.

Alianças frágeis e descontentamento popular

O governador tenta se reequilibrar politicamente com alianças estratégicas com prefeitos do interior, mas essas articulações têm alcance limitado. A simples presença de líderes municipais não se traduz em transferência automática de votos, principalmente diante de um eleitorado cada vez mais crítico e desiludido.

Além da segurança, o governo enfrenta outros flancos expostos: denúncias de obras superfaturadas, infraestrutura precária em rodovias e sistemas de abastecimento, além de um sistema de saúde estadual sobrecarregado, com filas crescentes para cirurgias eletivas, hospitais regionais sucateados e falta crônica de médicos e insumos em unidades do interior.

Esses problemas são sentidos no cotidiano do cidadão comum, e tendem a ser lembrados em um ciclo eleitoral. Em um estado com 417 municípios, a crise se capilariza e cria uma percepção de abandono institucional. A Bahia real, distante da propaganda oficial, pode cobrar essa fatura nas urnas.

ACM Neto: posicionamento estratégico e o fator antipetismo

Diante disso, ACM Neto surge como o principal beneficiário do desgaste petista. Mesmo após a derrota em 2022, seu capital político não se esvaiu, pelo contrário. Ao se posicionar como uma alternativa de renovação, com perfil mais moderado e gestor, Neto se coloca como a face do antipetismo baiano, agora mais fortalecido com os números negativos do governo.

Se conseguir agregar outros grupos insatisfeitos, do setor produtivo ao eleitorado religioso, e manter uma postura crítica, mas equilibrada, o ex-prefeito terá o cenário ideal para uma virada histórica em 2026.

Conclusão: Jerônimo nas cordas, oposição de olho no nocaute

O que se desenha no horizonte é uma eleição marcada por pautas duras e pragmáticas, sem espaço para discursos ideológicos evasivos. Segurança pública, saúde, infraestrutura e corrupção estarão no centro da arena.

Jerônimo tende a ser jogado nas cordas por um acúmulo de falhas administrativas e pela inércia diante de problemas crônicos. A oposição sabe disso, e ACM Neto, especialmente, tem a faca e o queijo na mão. Resta saber se ele vai saber usá-los no momento certo.

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