5 de março de 2026 19:59

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Brasil em ruínas: quedas de pontes e promessas não cumpridas travam o desenvolvimento

O Brasil assiste, de Norte a Sul, ao colapso silencioso e progressivo de sua infraestrutura rodoviária. A negligência com a manutenção de pontes e viadutos não apenas isola comunidades e paralisa o transporte de cargas, como também ceifa vidas. Uma investigação especial percorreu 9.057,8 quilômetros em quatro estados, Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Sul e Tocantins, para registrar a dimensão da tragédia, que é agravada por promessas não cumpridas e obras abandonadas.

Segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, 775 pontes em rodovias federais encontram-se em condições ruins ou críticas, conforme vistorias do DNIT. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) alerta que a situação ameaça rotas estratégicas e compromete a competitividade logística do país.

Tragédias anunciadas

No Tocantins/Maranhão, a queda da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, entre Estreito e Aguiarnópolis, em 2024, foi um dos episódios mais marcantes. A estrutura, inaugurada em 1961 e vital para o escoamento de cargas, já havia sido classificada como nível 2 de conservação, alerta para necessidade urgente de reparos. Mesmo assim, a licitação para manutenção, realizada meses antes, foi anulada por falhas documentais. O desabamento deixou 14 mortos, 3 desaparecidos e apenas um sobrevivente entre as 18 vítimas que caíram junto com o concreto.

No Amazonas, a BR-319 perdeu, em menos de um ano, duas pontes sobre o Rio Autaz-Mirim e o Curuçá. Uma delas, ironicamente, estava classificada como “boa” no relatório do DNIT, o que expõe falhas nas avaliações e na priorização de obras.

No Rio Grande do Sul, a enchente histórica de 2024 destruiu quatro pontes. Sobre o Rio Arroio Grande, na RS-287, a única solução encontrada foi uma ponte tática provisória do Exército — que só permite a passagem de um veículo pesado por vez, provocando filas intermináveis. Para comerciantes e moradores, o provisório já virou definitivo.

A ponte esquecida sobre o Rio Jequitinhonha

Enquanto tragédias se repetem, outras obras sequer começam. Na Bahia, a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, promessa antiga para melhorar a ligação entre municípios do sul e extremo-sul do estado, segue apenas no papel. Licitações são anunciadas e prazos divulgados, mas, até hoje, nenhum pilar foi fincado. A ausência da estrutura obriga motoristas a percorrer longos desvios, encarecendo fretes e dificultando o acesso a serviços essenciais.

Para a população ribeirinha, a espera já dura décadas, e o silêncio do governo federal sobre o cronograma real só aumenta a sensação de abandono.

A fantasia bilionária da Ponte Salvador–Itaparica

Em contraste com a inércia no Jequitinhonha, a Ponte Salvador–Itaparica segue ocupando espaço em discursos políticos e campanhas publicitárias. Vendida como uma obra “transformadora” para a Bahia, o projeto acumula anúncios grandiosos, mas carece de transparência sobre custos, impacto ambiental e viabilidade econômica. Especialistas alertam que, enquanto bilhões são prometidos para essa megaestrutura, pontes menores, porém vitais, seguem esquecidas e condenadas à deterioração.

Um descaso sistêmico

Desde 2017, o orçamento destinado à manutenção da malha viária federal está consistentemente abaixo do necessário. A consequência é um efeito dominó: pontes que caem, outras que se tornam inseguras, e obras paradas ou nem iniciadas.

O resultado é sentido por todos, caminhoneiros presos em filas, comerciantes com prejuízos, moradores isolados e famílias que choram perdas irreparáveis. No país onde o concreto desmorona e a promessa é eterna, o tempo corre contra a segurança e o desenvolvimento.

FONTE: INFORMAÇÕES PRINCIPAIS PELO PORTAL METRÓPOLES

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