A sessão da Câmara de Vereadores de Eunápolis realizada no dia 18 de junho de 2025 entrou para a história como mais um episódio de teatro político, revelando o descompasso entre critérios técnicos e interesses eleitorais. Mesmo após a prefeita Cordélia Torres alcançar um feito inédito, ter três contas seguidas aprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), os parlamentares decidiram reprovar politicamente as contas, numa manobra vista por muitos como um ato meramente simbólico e sem validade prática.
Nunca antes um gestor em Eunápolis havia conseguido a aprovação de três exercícios consecutivos pelo TCM, o que confere respaldo técnico à administração municipal. Ainda assim, parte dos vereadores tentou impor uma derrota política à prefeita, num movimento que, segundo analistas e moradores atentos à política local, não passa de uma tentativa de gerar desgaste em ano pré-eleitoral.
A situação se torna ainda mais grave diante da fragilidade técnica da Comissão de Finanças da Câmara. Nenhum dos seus membros possui formação contábil ou domínio das normas de controle externo, o que torna, segundo especialistas, “hilária” a tentativa de contestar um parecer elaborado por auditores do TCM, profissionais altamente qualificados e isentos.
Graves denúncias de bastidores também circulam. Alguns portais locais afirmam que vereadores teriam procurado ex-gestores em busca de favores ou acordos para reverter votos. A proposta teria sido recusada, mas a revelação escancara o nível de barganha que ainda permeia parte da política municipal.
Apesar do circo armado na Câmara, os efeitos práticos da rejeição política são nulos. O Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento de que a decisão do TCM prevalece sobre julgamentos puramente políticos quando estes não estão acompanhados de fundamentação técnica robusta. Em outras palavras, a tentativa de criar inelegibilidade ou prejudicar gestões passadas com base apenas em interesses locais perdeu força e validade jurídica.
Enquanto os vereadores seguem apostando no jogo político, Cordélia Torres continua colecionando aprovações formais e caminha para o quarto ano com as contas reconhecidas pela corte de contas. Em tempos de instabilidade e desconfiança política, a técnica, ao menos no TCM, ainda fala mais alto.