5 de março de 2026 17:22

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Contratos da Transmimo e Safre Transportes levantam suspeitas de irregularidades em Itamaraju e Santa Cruz Cabrália

A contratação de duas empresas de transporte escolar, a Transmimo Ltda. e a Safre Empreendimentos e Transportes Ltda., vem gerando forte repercussão no extremo sul da Bahia. Ambas firmaram contratos milionários com as prefeituras de Itamaraju e Santa Cruz Cabrália, e levantam suspeitas de irregularidades em seus processos de contratação, além de possíveis ligações societárias entre si.

Em Itamaraju, a Transmimo Ltda. (CNPJ nº 45.523.719/0001-45) foi contratada em 20 de maio de 2025 para realizar o transporte escolar da rede pública municipal e estadual. O Contrato nº 233/2025, no valor de R$ 3.483.815,69, foi celebrado de forma emergencial, com validade de 90 dias, sob a justificativa de garantir o início do ano letivo enquanto uma nova licitação não era concluída.

Pouco tempo depois, em Itamaraju, a safre Transportes, criada em novembro de 2023, venceu o Pregão Eletrônico nº 051/2025 para o mesmo tipo de serviço. Um ponto que chamou atenção foi o atestado de capacidade técnica emitido pela própria Transmimo em favor da Safre, declarando que esta possuiria uma frota de 30 veículos, além de sistema de monitoramento e uso de inteligência artificial.

Entretanto, documentos públicos indicam que a Safre ainda não possui estrutura compatível com o atestado apresentado, o que reforça as suspeitas de vínculo direto entre as duas empresas. Especialistas alertam que esse tipo de relação pode caracterizar fraude à concorrência pública, configurando violação aos princípios de isonomia e legalidade previstos na Lei de Licitações.

A Transmimo não é novata em polêmicas. A empresa foi alvo de operações do GAECO e da Polícia Civil de São Paulo, sob acusação de formação de cartel e fraude em licitações de transporte coletivo. Empresários ligados à companhia chegaram a ser presos por ameaçar concorrentes e combinar resultados de certames públicos.

Entre os investigados está Miguel Moreira Júnior, sócio da Transmimo, detido em Campinas (SP) durante uma operação que prendeu sete pessoas, entre empresários e funcionários do setor, por formação de quadrilha, fraude em licitações e crimes contra a economia popular. As autoridades apreenderam documentos, computadores e grandes quantias em dinheiro nas sedes das empresas e nas residências dos envolvidos.

A revelação de que as mesmas empresas sob investigação em São Paulo firmaram contratos na Bahia provocou indignação entre moradores, professores e lideranças locais. Em Itamaraju e Santa Cruz Cabrália, cresce a pressão para que o Ministério Público Estadual (MP-BA), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal apurem o caso.

Somados, os contratos recentes superam R$ 5 milhões, recursos oriundos, em grande parte, da educação básica. As denúncias levantam dúvidas sobre possível direcionamento de contratos, uso político de verbas públicas e fragilidade na fiscalização dos processos de licitação e emergência.

Enquanto a população cobra transparência, os casos da Transmimo e da Safre expõem, mais uma vez, as falhas nos mecanismos de controle e a necessidade de maior rigor na contratação de serviços essenciais, como o transporte escolar.

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