5 de março de 2026 20:24

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Fala de Jerônimo expõe crise na regulação e superlotação na saúde da Bahia

A declaração do governador Jerônimo Rodrigues, feita durante coletiva em Santo Antônio de Jesus, voltou a expor a crise na regulação e a superlotação da rede estadual de saúde. Ao comentar relatórios que apontam pacientes em macas e cadeiras nos corredores, o governador afirmou: “Deixe. Peça para o Ministério Público vir me consultar, para eu poder conversar com o MP.” Ele também disse que “90% dos pacientes nos corredores não deveriam estar ali”, responsabilizando os municípios por falhas na atenção básica.

A fala gerou forte reação política. O ex-prefeito ACM Neto classificou a declaração como insensível e afirmou que “quem vai ao hospital está lutando para sobreviver, não para fazer turismo”, destacando que o governador minimiza o sofrimento de quem depende exclusivamente do SUS.

A situação exposta na coletiva reacende um problema antigo: a lenta e congestionada fila de regulação. Pacientes graves que aguardam cirurgias, UTIs e exames especializados chegam a esperar semanas ou meses. Em muitos casos, não resistem ao tempo de espera. Regiões afastadas da capital enfrentam ainda mais dificuldades diante da falta de estrutura e da alta demanda.

Especialistas apontam que, embora os municípios tenham responsabilidades na atenção primária, o gargalo é estrutural e envolve diretamente a capacidade do Estado de ampliar vagas, organizar fluxos e evitar que corredores se transformem em extensões improvisadas das enfermarias — cenário recorrente em períodos de surtos, como o da dengue.

A fala do governador, em vez de amenizar a preocupação da população, acabou revelando a profundidade de um sistema que opera no limite e que já não consegue esconder a superlotação que compromete a dignidade e a segurança dos pacientes.

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