O comércio de Eunápolis atravessa um dos seus períodos mais delicados dos últimos anos. Lojas com pouco movimento, empresários relatando queda no faturamento e dificuldade de manter postos de trabalho refletem um ambiente econômico fragilizado, agravado pela ausência de políticas públicas consistentes da Prefeitura Municipal.
Comércio sem estímulos e políticas de fortalecimento
Até o momento, empresários e representantes do setor produtivo afirmam que não encontram na gestão atual iniciativas capazes de reaquecer a economia local.
Eunápolis não dispõe de programas robustos de incentivo ao pequeno e médio empreendedor, nem de políticas de fomento à competitividade e inovação, mecanismos há muito adotados por municípios de porte semelhante no estado.
A ausência de um calendário de ações estratégicas, como eventos estruturados para impulsionar o consumo, campanhas de valorização do comércio local e linhas de crédito facilitadas, reforça o quadro de estagnação. Para muitos comerciantes, o cenário parece repetitivo: o poder público observa, mas não age.
Efeitos diretos na economia e no emprego
Com menos consumidores nas ruas e queda no movimento das lojas, o reflexo aparece em toda a cadeia: redução de estoque, adiamento de investimentos e, principalmente, cortes de pessoal, ampliando o ciclo de retração econômica.
Um comerciante ouvido pela reportagem, que preferiu não ser identificado, resume a percepção do setor:
“A Prefeitura não apresentou até agora nenhum plano sólido para dinamizar o comércio. Trabalhamos no escuro, sem incentivo, sem perspectiva”.
Gestão sem diálogo e sem planejamento
Outro ponto criticado por empresários é a falta de diálogo da administração municipal com o setor produtivo. Reuniões, fóruns ou mesas permanentes de discussão, práticas comuns em cidades com comércio forte, são raros ou inexistentes. A consequência é uma prefeitura que não ouve e um comércio que não é ouvido.
Especialistas destacam que cidades com economia ativa dependem de:
planejamento financeiro sério;
ações integradas entre governo e empresários;
organização do espaço urbano;
estímulo à geração de renda;
visão estratégica de médio e longo prazo.
Sem esses elementos, Eunápolis segue exposta à vulnerabilidade, sujeita a oscilações sazonais e dependente de iniciativas isoladas do setor privado.
Um chamado por responsabilidade administrativa
No momento em que o comércio local envia sinais claros de desgaste, a gestão municipal precisa assumir o papel que lhe cabe: planejar, incentivar, ouvir e agir. A estagnação econômica de Eunápolis não é apenas reflexo do passado, mas também da falta de ações concretas no presente.
Enquanto o poder público não apresentar programas de fortalecimento econômico, políticas de incentivo e uma gestão financeira estruturada, o comércio continuará a carregar sozinho o peso de uma crise que não é apenas mercadológica, é também resultado da ausência de planejamento administrativo.


