5 de março de 2026 19:53

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Moraes amplia restrições a Bolsonaro nas redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou nesta segunda-feira (21) as restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ampliando o alcance da medida cautelar que o impede de usar redes sociais. Agora, a proibição também inclui transmissões, retransmissões, entrevistas e quaisquer conteúdos publicados por terceiros, ainda que apenas com trechos de declarações do ex-presidente.

O novo despacho de Moraes, divulgado pelo portal g1, esclarece que a restrição deve ser interpretada de forma ampla:

“A medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, imposta a Jair Messias Bolsonaro inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiro”, escreveu o ministro.

A decisão foi motivada por um pedido da Polícia Federal (PF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A corporação reuniu indícios de que Bolsonaro teria cometido crimes de coação, obstrução à Justiça e atentado à soberania nacional.

Coletiva cancelada

Com base nas limitações impostas, Bolsonaro cancelou uma entrevista coletiva que estava prevista para esta segunda-feira na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento seria promovido pelo Partido Liberal (PL), sigla à qual ele é filiado.

As medidas cautelares já determinadas pelo STF incluem:

  • Proibição de uso de redes sociais, direta ou indiretamente;
  • Monitoramento por tornozeleira eletrônica;
  • Toque de recolher à noite e nos fins de semana;
  • Proibição de contato com filhos, diplomatas e outros investigados.

Acusações e risco de prisão

Segundo a PF, Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram junto a autoridades dos Estados Unidos para tentar pressionar o STF e influenciar decisões ligadas à investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. A corporação aponta que os dois buscavam “atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas” para interferir no funcionamento da Justiça brasileira.

Em outro trecho da decisão, Moraes adverte que o descumprimento das medidas poderá levar à prisão imediata do ex-presidente:

“Não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.”

As investigações seguem em curso no âmbito do inquérito que apura a participação de Bolsonaro na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

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