A cena política de Ituberá, no Baixo Sul da Bahia, escancara um problema antigo: a ausência de uma oposição ativa e organizada. Enquanto o prefeito Reges Aragão consolida seu grupo e amplia influência na cidade e nas redondezas, dois nomes apontados como potenciais candidatos nas próximas eleições seguem praticamente invisíveis no debate público.
A ex-prefeita Iramar Costa, única mulher a governar o município e reeleita em sua gestão, conhece a máquina pública e o jogo político local. Já Neto Bae, que foi vice-prefeito em sua chapa e candidato do PT na última eleição, saiu das urnas com uma derrota expressiva diante da reeleição de Reges. Ainda assim, ambos permanecem distantes de uma atuação firme e contínua como oposição.
Nos bastidores, comenta-se que a estratégia seria “aparecer” faltando seis meses para o pleito. Mas a matemática política é implacável: não se constrói enfrentamento sólido em meio ano, sobretudo contra um grupo que ocupa espaços, articula alianças e mantém influência constante. Em cidades de porte médio como Ituberá, onde as relações políticas são diretas e pessoais, presença e constância pesam mais que discursos de última hora.
A percepção popular é clara: se nada mudar, Reges Aragão terá força suficiente para eleger quem quiser como sucessor. A crítica que ecoa nas ruas é dura, de que, mantido o cenário atual, ele “coloca até um cachorro” e vence. A frase pode soar exagerada, mas traduz o sentimento de domínio absoluto que se instalou no município.
Enquanto isso, a oposição assiste. Não fiscaliza com vigor, não mobiliza base, não constrói narrativa alternativa. E, sem contraponto, o prefeito segue conduzindo a política local praticamente sem resistência. Vale lembrar que muitos apontam que os interesses de Reges extrapolam a gestão de uma cidade com cerca de 22 mil habitantes, o que explicaria sua atuação mais estratégica e menos presente no cotidiano local.
Em política, espaço vazio não fica sem dono. Ou Iramar e Neto Bae assumem, de fato, o papel de oposição agora, com propostas, fiscalização e presença, ou continuarão dançando conforme a música que Reges toca no palco político que ele mesmo construiu em Ituberá.