A pré-diabetes já é considerada uma condição de risco que exige cuidados imediatos. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas vivem nessa fase inicial, mas apenas uma pequena parcela sabe que tem a alteração. Especialistas alertam que esse estágio não é “pré-doença”, e sim o início do diabetes tipo 2 — que pode ser evitado com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida.
A condição ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda não caracterizam diabetes. Mesmo assim, já há impactos importantes no organismo, como risco aumentado de doenças cardiovasculares, renais e neurológicas. Pesquisas recentes mostram que pacientes que conseguem normalizar a glicemia nessa fase têm redução de mais de 50% no risco de morte cardiovascular e mais de 40% na mortalidade geral.
A endocrinologista Denise Franco, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), explica que a pré-diabetes se desenvolve anos antes do diagnóstico oficial. Nesse período, a função das células responsáveis pela produção de insulina já está comprometida. Por isso, exames rotineiros são fundamentais para identificar a alteração e agir cedo.
Profissionais de saúde reforçam que o tratamento baseia-se em três pilares: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e, quando indicado, uso de medicamentos. Com acompanhamento adequado, é possível reverter o quadro e evitar a progressão para o diabetes tipo 2.
O tema tem mobilizado campanhas de prevenção, como o movimento “Antes que vire”, desenvolvido pela Merck em parceria com entidades médicas. A iniciativa busca ampliar o acesso a exames gratuitos e ações educativas voltadas para pessoas com fatores de risco, como obesidade e histórico familiar da doença.
A pré-diabetes, apesar de silenciosa, é um alerta importante. Identificar cedo, agir com orientação médica e adotar hábitos saudáveis são passos essenciais para evitar complicações futuras e garantir qualidade de vida.