Parece até piada de mau gosto e das ruins. A Câmara de Vereadores de Eunápolis resolveu aprovar, em sessão secreta, a concessão do título de cidadão eunapolitano ao governador Jerônimo Rodrigues. Isso mesmo: ao mesmo Jerônimo que virou as costas para a cidade desde que assumiu o governo da Bahia.
A cerimônia da votação, feita longe dos olhos do povo, sem transmissão, sem transparência e sem vergonha, levantou suspeitas e gerou revolta. Afinal, o que fez Jerônimo por Eunápolis para merecer tamanha homenagem? Será que os vereadores confundiram ausência com presença? Ou desprezo com compromisso?
Desde o início de sua gestão, Jerônimo praticamente riscou Eunápolis do mapa. São mais de dois anos com a obra do trevo da Policlínica paralisada, um símbolo do abandono. No último aniversário da cidade, quando se esperava ao menos uma visita institucional, o governador simplesmente ignorou a data. Nem parabéns mandou. Quem acabou esnobado foi o atual prefeito, que havia anunciado com pompa a presença de Jerônimo. Caiu do cavalo.
Enquanto isso, a cidade sangra. Homicídios se acumulam, o presídio está em colapso, fugas de criminosos viraram rotina e a população vive assustada com a insegurança. A única presença de Jerônimo por aqui foi em palanque, uma única vez em três anos, para fazer política, não para ouvir a população ou anunciar investimentos.
E agora, como se nada disso tivesse acontecido, querem entregar um título de cidadão. Talvez por serviços prestados… à invisibilidade? O gesto seria tragicômico se não fosse tão revoltante.
A cereja do bolo: há rumores de que Robério, conhecido pelo cálculo político, não permitirá que essa entrega de título aconteça em cima do palco do Pedrão. Afinal, até ele tem senso do ridículo. Porque por mais aliados que sejam, até o populismo tem limite.
A cidade quer saber: por que essa sessão foi feita às escondidas? O que justifica tamanha homenagem a quem tanto se ausentou? E, mais importante: quando é que Eunápolis vai deixar de ser palco de encenações e passar a receber o respeito que merece?