O deputado federal Neto Carletto (Avante) apresentou à Justiça Eleitoral uma declaração de patrimônio de R$ 34,3 milhões para as eleições de 2026. Em 2022, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, o valor declarado era de R$ 591,6 mil. A diferença representa um crescimento de quase 6.000% em quatro anos.
A matemática, naturalmente, chamou atenção. Mas não precisa haver tanto espanto assim.
Afinal, estamos falando de alguém que vem de uma família com patrimônio empresarial expressivo. O próprio deputado explicou que o aumento decorre de doações feitas pelos pais e afirmou que os bens estão devidamente declarados à Receita Federal.
Ou seja: antes que alguém comece a imaginar que o deputado descobriu alguma fórmula secreta para transformar pouco em muito, a explicação apresentada é bem mais simples: a herança familiar e as doações chegaram à declaração oficial.
De R$ 591 mil para R$ 34,3 milhões
Na declaração de 2022, Neto Carletto informou possuir R$ 591,6 mil em bens. Entre eles estavam uma participação de 16,66% em uma aeronave, avaliada em R$ 300 mil, um Toyota Corolla de R$ 106,5 mil e um lote em Eunápolis avaliado em R$ 60 mil.
Quatro anos depois, o cenário mudou — e mudou bastante.
Entre os bens declarados em 2026 estão um prédio comercial em Porto Seguro avaliado em R$ 7,6 milhões e uma participação societária de aproximadamente R$ 17,3 milhões. Também aparecem aplicações financeiras e outros ativos.
“Nasceu rico” não é exatamente uma surpresa
Então, convenhamos: não há motivo para fingir surpresa diante da origem do patrimônio.
Neto Carletto não surgiu do nada na vida empresarial. Ele é herdeiro de uma família conhecida no setor empresarial baiano. Portanto, se alguém esperava que o deputado tivesse passado de um Corolla para dezenas de milhões apenas com salário parlamentar, pode guardar a calculadora.
A explicação apresentada é outra: patrimônio familiar, doações dos pais e participações empresariais.
E está tudo declarado, segundo o próprio parlamentar.
O que realmente merece atenção
O ponto que merece ser observado pelo eleitor não é simplesmente alguém ser rico. Ser rico, por si só, não é crime e muito menos problema.
O que interessa é saber se os valores declarados correspondem à realidade, se a origem dos bens é lícita e se todas as movimentações estão devidamente documentadas e compatíveis com a legislação.
Até aqui, o que existe publicamente é uma declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral e a explicação do próprio deputado sobre a origem do crescimento.
No mais, fica a ironia inevitável: para quem já nasceu em berço empresarial, talvez os R$ 34,3 milhões não sejam exatamente uma fortuna construída do zero em quatro anos.
Pode ser apenas o patrimônio familiar finalmente aparecendo com mais clareza no papel.
E, nesse caso, a grande novidade não seria ter ficado rico.
Seria apenas ter declarado que já era.