7 de agosto de 2026 16:40

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Hospital Regional de Eunápolis: agora reclamar virou problema?

Hospital público não é hotel cinco estrelas

É importante deixar uma coisa clara: ninguém está dizendo que o Hospital Regional não teve melhorias.

Teve.

A própria Prefeitura divulgou a chegada de novos equipamentos e intervenções estruturais.

Mas uma parede pintada não resolve uma fila.

Um aparelho novo não substitui médico.

Uma reforma não garante medicamento.

E uma postagem bonita nas redes sociais certamente não substitui atendimento humanizado.

Hospital público existe para atender a população. E a população tem todo o direito de perguntar, cobrar, reclamar e exigir explicações.

E as reclamações?

Em novembro de 2025, durante reunião na Câmara Municipal, vereadores apresentaram questionamentos sobre medicamentos, exames, salários, cirurgias eletivas e outras questões relacionadas ao funcionamento do hospital. Na ocasião, a direção da unidade respondeu aos questionamentos e apresentou números de atendimentos realizados.

Ou seja: fiscalizar não é perseguir. Perguntar não é atacar. Reclamar não é fazer política.

É justamente o contrário.

Quem administra dinheiro público e serviço público precisa estar preparado para ouvir elogios — mas também críticas.

Agora o hospital parece particular?

A ironia é justamente essa.

Dependendo da reação de quem reclama, começa a parecer que o Hospital Regional virou uma espécie de estabelecimento particular: o cidadão entra como paciente, mas precisa tomar cuidado para não sair devendo satisfação por ter reclamado.

Só falta colocar na porta:

“Favor elogiar antes de entrar.”

Mas não funciona assim.

O Hospital Regional pertence à população. É mantido com recursos públicos e atende milhares de pessoas. Portanto, quem utiliza o serviço tem o direito de dizer quando foi bem atendido — e, principalmente, quando não foi.

Robério precisa entender uma coisa

O prefeito Robério Oliveira pode defender sua gestão, apresentar números, mostrar obras e responder às críticas. Isso faz parte da democracia.

O que não pode existir é a ideia de que criticar o serviço público significa atacar pessoalmente o prefeito.

Se o atendimento está bom, mostre os números.

Se está ruim, explique o problema.

Se houve falha, corrija.

Se a reclamação é injusta, responda com fatos.

É simples.

O que não combina com gestão pública é transformar o cidadão que reclama em inimigo.

Porque, no fim das contas, o paciente não está pedindo favor. Está cobrando um serviço público que é seu por direito.

E, convenhamos, depois de todo o histórico de problemas, recomendações do Ministério Público, mudanças de gestão e cobranças feitas por vereadores, ninguém pode esperar que a população simplesmente bata palmas e fique em silêncio.

Hospital público não é propriedade de prefeito. É patrimônio da população.

E quem paga a conta tem todo o direito de perguntar se o serviço está sendo bem prestado.

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