No Extremo Sul da Bahia, o esporte parece ter encontrado um endereço onde é tratado com mais seriedade: Porto Seguro.
Enquanto o município mantém uma agenda esportiva mais movimentada e demonstra maior capacidade de transformar o esporte em política pública, cidades importantes da região, como Eunápolis e Teixeira de Freitas, vivem um cenário bem diferente.
Por lá, o esporte parece estar em hibernação.
E não faltam atletas, equipes e modalidades esperando apenas uma coisa: oportunidade.
Porto Seguro entendeu o recado
Porto Seguro tem conseguido ocupar espaços importantes no esporte regional com competições, eventos e iniciativas que movimentam atletas, clubes e comunidades.
A lógica é simples: quando existe calendário, estrutura e incentivo, o atleta aparece.
O esporte também movimenta economia, turismo, comércio e, principalmente, oferece alternativas para crianças e jovens.
Não se trata apenas de futebol.
Vôlei, basquete, artes marciais, ciclismo, atletismo, esportes de praia e tantas outras modalidades precisam de espaço, equipamentos e programas permanentes.
Porto Seguro parece ter entendido isso.
E Eunápolis?
Eunápolis, uma das maiores cidades do Extremo Sul, poderia ser uma verdadeira potência esportiva regional.
Tem população, atletas, clubes, escolinhas, espaços esportivos e uma localização estratégica.
O que parece faltar é uma política esportiva mais consistente e permanente.
Não basta organizar um campeonato de vez em quando, entregar troféu, tirar foto e considerar a missão cumprida.
Esporte precisa de planejamento.
Precisa de calendário anual.
Precisa de manutenção de espaços.
Precisa de transporte para atletas.
Precisa de apoio às equipes.
Precisa descobrir talentos nas escolas e dar condições para que eles continuem treinando.
Teixeira de Freitas também está fria
Teixeira de Freitas não fica atrás em potencial.
A cidade tem população expressiva e uma enorme quantidade de jovens que poderiam estar envolvidos em atividades esportivas.
Mas o cenário, para quem acompanha o esporte local, é de pouca movimentação e incentivo insuficiente.
Enquanto outras cidades conseguem colocar competições nas ruas e movimentar atletas, em alguns municípios do Extremo Sul parece que o esporte só lembra que existe quando chega a hora de inaugurar alguma obra ou divulgar uma ação pontual.
Esporte não pode ser evento de ocasião.
O esporte não pede luxo
É importante lembrar que não estamos falando necessariamente de grandes estádios ou investimentos milionários.
Muitas vezes, o que falta é o básico:
quadra funcionando, iluminação, material esportivo, professor, transporte e competição.
É isso que permite que um garoto troque a rua pelo campo, a quadra ou a pista.
E é justamente aí que o poder público deveria entrar.
Enquanto isso, os atletas continuam esperando
O problema é que os talentos existem.
Existem jogadores de futebol, atletas de artes marciais, corredores, ciclistas, jogadores de vôlei, basquete, futsal e praticantes de diversas modalidades.
O que muitas vezes não existe é uma estrutura pública capaz de transformar talento em oportunidade.
E quando o município não oferece espaço, patrocínio ou calendário, quem perde não é apenas o atleta.
Perde a cidade.
Perde o comércio.
Perde a juventude.
Perde a possibilidade de revelar talentos.
Porto Seguro mostra que é possível
A comparação é inevitável.
Se uma cidade do Extremo Sul consegue movimentar o esporte de maneira mais organizada, por que outras não conseguem fazer o mesmo?
Eunápolis, Teixeira de Freitas, Itamaraju, Santa Cruz Cabrália e outros municípios têm potencial para muito mais.
O esporte precisa deixar de ser tratado como assunto secundário.
Porque investir em esporte também é investir em educação, saúde, disciplina, inclusão e prevenção à violência.
Porto Seguro parece ter entendido o jogo.
Agora falta Eunápolis, Teixeira e as demais cidades entrarem em campo.
Porque, do jeito que está, o placar do esporte no Extremo Sul é preocupante:
Porto Seguro jogando.
E muita cidade ainda esperando o apito inicial.