Uma advogada criminalista de 28 anos, alvo da Operação Chicana, da Polícia Civil da Bahia, é investigada por suspeita de ter utilizado um contrato de locação supostamente fraudado para tentar recuperar um veículo apreendido com dois homens apontados pela polícia como integrantes de uma facção criminosa.
A investigação aponta que o documento teria sido produzido com informações falsas e data retroativa, com o objetivo de apresentar uma versão de que o automóvel estava regularmente alugado antes de ser apreendido. A suspeita é que o contrato seria utilizado em uma tentativa de obter judicialmente a devolução do veículo.
Carro foi apreendido em Itabela
O veículo, um Volkswagen Nivus, foi apreendido pela Polícia Militar no dia 18 de abril, nas proximidades da Praça do Fórum, em Itabela.
Segundo a ocorrência policial, dois homens estavam no automóvel quando perceberam a aproximação dos policiais. Na tentativa de fuga, eles teriam colidido contra uma viatura, abandonado o carro e fugido a pé.
O veículo permaneceu apreendido.
Durante as investigações, surgiu um contrato de locação que teria sido apresentado para justificar a posse do automóvel por um dos suspeitos.
A Polícia Civil, porém, identificou indícios de que o documento poderia ter sido fraudado.
Contrato teria sido criado depois da apreensão
Segundo a investigação, o contrato apresentava uma data anterior à apreensão do veículo, o que poderia dar aparência de que a locação já existia quando o carro foi encontrado com os suspeitos.
Um homem idoso apontado como suposto locador declarou aos investigadores que teria assinado o documento sem saber exatamente o conteúdo.
Além disso, o proprietário da loja onde o veículo foi comprado afirmou que a advogada teria participado da negociação envolvendo o automóvel.
Advogada é alvo de busca e apreensão
A investigada foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos na quarta-feira (5), em Eunápolis, durante a Operação Chicana.
Policiais apreenderam aparelhos eletrônicos e documentos, que deverão passar por perícia. O objetivo é encontrar novas evidências, verificar a participação de outras pessoas e esclarecer como os documentos teriam sido produzidos e utilizados.
A investigação apura possíveis crimes de participação em organização criminosa, falsidade ideológica e fraude processual.
Prisão preventiva foi negada
A Polícia Civil chegou a solicitar a prisão preventiva da advogada. O pedido, entretanto, foi negado pela Justiça.
Segundo o Correio, a decisão levou em consideração o fato de a investigada ser mãe de um bebê de dois meses e estar em período de amamentação. Em vez da prisão, foram determinadas medidas cautelares diversas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Investigação ainda está em andamento
A Operação Chicana não significa condenação. A advogada é investigada e terá direito à defesa e ao devido processo legal.
Agora, os documentos e equipamentos apreendidos serão analisados pela Polícia Civil. A perícia poderá esclarecer se houve efetivamente falsificação, quem participou da elaboração dos documentos e qual seria a finalidade do suposto esquema.
O caso também deverá esclarecer se o contrato foi produzido especificamente para tentar retirar da Justiça um veículo que havia sido apreendido em circunstâncias relacionadas a suspeitos de integrar uma organização criminosa.
Até o momento, as acusações fazem parte de uma investigação policial e não representam uma condenação definitiva.