9 de julho de 2026 9:03

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Bahia lidera ranking de mortes violentas e esclarece apenas 14% dos homicídios, aponta estudo

A Bahia voltou a aparecer em posição de destaque negativo nos indicadores de segurança pública. De acordo com o estudo Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Sou da Paz, o estado registrou o maior número de mortes violentas intencionais do país em 2023 e esclareceu, em média, apenas 14% dos homicídios dolosos ocorridos entre 2020 e 2023.

Segundo o levantamento, a Bahia contabilizou 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais (MVI) em 2023, o maior número absoluto entre todas as unidades da federação. O estado também apresentou uma taxa de 46,5 mortes por 100 mil habitantes, a segunda mais alta do Brasil, ficando atrás apenas do Amapá, que registrou 69,9 mortes por 100 mil habitantes.

Além da elevada violência, o estudo chama atenção para a baixa capacidade de elucidação dos crimes. A média de 14% dos homicídios com denúncia apresentada pelo Ministério Público coloca a Bahia entre os piores desempenhos do país, superando apenas o Rio Grande do Norte, que registrou índice de 9%.

Violência armada e atuação do crime organizado

O diagnóstico aponta que a Bahia reúne características que dificultam as investigações criminais. Entre os principais fatores estão a forte atuação de organizações criminosas, o elevado uso de armas de fogo e os altos índices de letalidade policial.

De acordo com o estudo, 83% dos homicídios registrados no estado são cometidos com armas de fogo, um dos maiores percentuais do Brasil.

Outro dado destacado é que, em 2023, 25,8% das mortes violentas intencionais ocorreram durante intervenções policiais, percentual que supera em mais do que o dobro a média nacional, estimada em 13,8%.

Investigação é desafio para a segurança pública

Os pesquisadores do Instituto Sou da Paz observam que estados com maiores índices de mortes decorrentes de intervenção policial também costumam apresentar menores taxas de esclarecimento de homicídios. Segundo o estudo, esse cenário pode indicar uma relação entre modelos de policiamento mais voltados ao confronto e uma menor capacidade investigativa das instituições responsáveis pela apuração dos crimes.

O levantamento reforça que o fortalecimento das investigações, da inteligência policial e da integração entre as forças de segurança e o Ministério Público é considerado essencial para aumentar a resolução dos homicídios e reduzir os índices de violência no estado.

Os números evidenciam os desafios enfrentados pela Bahia na área da segurança pública e colocam em debate a necessidade de políticas públicas voltadas não apenas ao combate à criminalidade, mas também ao aprimoramento da investigação criminal e da responsabilização dos autores de crimes contra a vida.

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