10 de agosto de 2026 1:16

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Candidatos com deficiência acusam concurso de Juiz Leigo do TJBA de capacitismo institucional após erro de comunicação da banca

Candidatos com deficiência inscritos no processo seletivo para Juiz Leigo do Tribunal de Justiça da Bahia (Edital nº 05/2026) denunciam tratamento desigual por parte da banca organizadora, a Fundação Getulio Vargas (FGV), durante a Avaliação Biopsicossocial realizada no último domingo (09/08), no Colégio Estadual Central da Bahia, no bairro de Nazaré, em Salvador, o que levou a eliminação de aproximadamente 70% dos inscritos como PCD por suposta ausência.

A nossa equipe foi até o local da confusão no momento e apurou que existiam 62 candidatos convocados para a etapa e que mais de 40 ficaram do lado de fora do portão, alegando erro de comunicação da organização sobre os horários de acesso.

Segundo os candidatos, o edital de convocação previa apenas o horário de início dos atendimentos, às 8h, com recomendação de comparecimento com 30 minutos de antecedência. Não havia, porém, qualquer indicação expressa de horário de fechamento dos portões. Ainda assim, o acesso ao local foi encerrado às 7h30, meia hora antes do horário oficial de início, barrando a entrada de dezenas de candidatos que aguardavam nas proximidades.

A situação se agravou por fatores externos: no mesmo horário e região ocorria o evento esportivo “Santander Track&Field Run Series”, que interditou vias e provocou congestionamento no acesso ao colégio. Somam-se relatos de insegurança na área central de Salvador em manhãs de domingo, o que teria levado parte dos candidatos a aguardar em veículos próximos até momentos antes do horário divulgado, temendo se expor antes da abertura dos portões.

Diante da confusão, foram acionadas a Polícia Militar da Bahia e a Guarda Civil Municipal, que registraram ocorrência no local, constatando o grande número de candidatos impedidos de ingressar, todas pessoas com deficiência. Um dos candidatos barrados relata ainda ter protocolado reclamação administrativa junto à FGV (protocolo nº 21006773912), sem resposta até o momento.

Comparação com outras etapas do certame

Os candidatos apontam uma diferença de tratamento em relação a outras fases do concurso. Segundo as petições apresentadas à Justiça, tanto a prova objetiva quanto o procedimento de heteroidentificação racial — realizado no mesmo dia da avaliação biopsicossocial — contaram com Cartão de Convocação Individual detalhando horários de abertura e fechamento das salas. Já os candidatos com deficiência teriam sido os únicos convocados sem esse documento, recebendo apenas o horário de início do procedimento. Para os candidatos, essa discrepância configuraria capacitismo institucional por parte da banca organizadora.

Mandado de segurança e recursos administrativos

Diante do impasse, já foi impetrado um mandado de segurança coletivo contra a organização do certame no Tribunal de Justiça da Bahia, com pedido de liminar em regime de plantão judiciário. Os candidatos pedem a marcação de nova data para a avaliação biopsicossocial ou, subsidiariamente, a suspensão de qualquer ato de eliminação dos candidatos impedidos de comparecer, até decisão final do processo. A ação também requer a extensão dos efeitos da decisão a todos os candidatos na mesma situação, ainda que não constem nominalmente no processo, além da citação do Estado da Bahia e a intervenção do Ministério Público estadual. O caso aguarda decisão liminar do juízo plantonista.

Os candidatos também pedem tratamento igualitário com as outras fases do certame que disponibilizam horário de abertura e fechamento, bem como cartão de convocação individual.

Paralelamente, cadidatos protocolaram recursos administrativos individuais diretamente junto à FGV, pedindo nova data para a avaliação e a preservação de sua colocação no cadastro de reserva até a análise do recurso.

A FGV e o TJBA ainda não se manifestaram publicamente sobre o episódio.

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