Hospital público não é hotel cinco estrelas
É importante deixar uma coisa clara: ninguém está dizendo que o Hospital Regional não teve melhorias.
Teve.
A própria Prefeitura divulgou a chegada de novos equipamentos e intervenções estruturais.
Mas uma parede pintada não resolve uma fila.
Um aparelho novo não substitui médico.
Uma reforma não garante medicamento.
E uma postagem bonita nas redes sociais certamente não substitui atendimento humanizado.
Hospital público existe para atender a população. E a população tem todo o direito de perguntar, cobrar, reclamar e exigir explicações.
E as reclamações?
Em novembro de 2025, durante reunião na Câmara Municipal, vereadores apresentaram questionamentos sobre medicamentos, exames, salários, cirurgias eletivas e outras questões relacionadas ao funcionamento do hospital. Na ocasião, a direção da unidade respondeu aos questionamentos e apresentou números de atendimentos realizados.
Ou seja: fiscalizar não é perseguir. Perguntar não é atacar. Reclamar não é fazer política.
É justamente o contrário.
Quem administra dinheiro público e serviço público precisa estar preparado para ouvir elogios — mas também críticas.
Agora o hospital parece particular?
A ironia é justamente essa.
Dependendo da reação de quem reclama, começa a parecer que o Hospital Regional virou uma espécie de estabelecimento particular: o cidadão entra como paciente, mas precisa tomar cuidado para não sair devendo satisfação por ter reclamado.
Só falta colocar na porta:
“Favor elogiar antes de entrar.”
Mas não funciona assim.
O Hospital Regional pertence à população. É mantido com recursos públicos e atende milhares de pessoas. Portanto, quem utiliza o serviço tem o direito de dizer quando foi bem atendido — e, principalmente, quando não foi.
Robério precisa entender uma coisa
O prefeito Robério Oliveira pode defender sua gestão, apresentar números, mostrar obras e responder às críticas. Isso faz parte da democracia.
O que não pode existir é a ideia de que criticar o serviço público significa atacar pessoalmente o prefeito.
Se o atendimento está bom, mostre os números.
Se está ruim, explique o problema.
Se houve falha, corrija.
Se a reclamação é injusta, responda com fatos.
É simples.
O que não combina com gestão pública é transformar o cidadão que reclama em inimigo.
Porque, no fim das contas, o paciente não está pedindo favor. Está cobrando um serviço público que é seu por direito.
E, convenhamos, depois de todo o histórico de problemas, recomendações do Ministério Público, mudanças de gestão e cobranças feitas por vereadores, ninguém pode esperar que a população simplesmente bata palmas e fique em silêncio.
Hospital público não é propriedade de prefeito. É patrimônio da população.
E quem paga a conta tem todo o direito de perguntar se o serviço está sendo bem prestado.